Dessa vez consegui me inscrever e participar da prova. Em fevereiro fiz a inscrição para um BRM 200 Km (Mongaguá - Biguá - Mongaguá) e não consegui participar por conta de uma gripe.
Esse BRM fazia parte do calendário do Randonneurs Mogi das Cruzes, mas teve a colaboração do Randonneurs Litoral, com o apoio, criação da rota, planilha, fazendo o reconhecimento e ajudando no dia do Brevet. Agora o Randonneurs Litoral é um clube homologado pelo Audax Club Parisien e durante o calendário 2013/2014 contará só com desafios, mas a partir de novembro deste ano, creio que já contará com BRM's. Entenda um pouco mais clicando aqui.
Eu estava decidido a não participar, mas fiz a inscrição no último dia, animado pela participação de Fernando Fert.
Fui dando aquele trato na magrela durante a semana, mas o mais pesado fiz no feriado do dia 9 de julho e no finalzinho do dia de sexta fiz um "girinho" para ver se estava tudo em ordem.
Na sexta preparei uns lanches com presunto, queijo, alface, cenoura e beterraba, fiz quatro mas comi só dois.
Tudo pronto! Era só dormir e acordar às 4h30. Diferente das noites que antecedem uma grande pedalada, nessa dormi muito bem!
Às 5h30 era o horário marcado com o Fernando para nos encontrar no Posto Ongarato. Fui sem chuvas, mas lá uma chuvinha caiu e chuva poderia complicar as coisas.
Não lembro a hora que chegamos em Pedro de Toledo, mas lembro da hora que fiz a vistoria: 7h10, pois estava no passaporte.
Depois disso, esperamos o "briefing" e largada. Primeiro foi o pessoal do asfalto que no desafio maior iria até a Praça da Basílica em Iguape, em seguida, foi para o pessoal da terra, que aconteceu às 7h50, com o desafio maior de 93 Km, esse era o nosso.
Os primeiros, aproximadamente, 6,5 quilômetros seriam nos asfalto, o que deu para manter uma média de 25 Km/h. E do fim do asfalto até o ponto mais alto da serra foram quase 8 quilômetros com média horária de 9 quilômetros.
Daí a brincadeira ficou tensa, estavam fazendo a manutenção da estrada e choveu, para descer foi fácil, mas fui remoendo para subir. Tinha que acumular uma gordurinha para queimar, empurrando na subida da volta.
Às 9h40 chegamos no PC 1, tiramos o excesso de lama no rio, fizemos uma foto, comi um sanduíche e paçoquinhas, reabasteci a caramanhola, carimbei o passaporte e tocamos em frente.
Não pedalamos nem 900 metros depois do PC1 e vi alguma parte da bicicleta do Fernando pulando, gritei pra ele e quando fomos ver era o câmbio dianteiro que tinha quebrado. Para tirar o pedaço do câmbio tinha que abrir a corrente, que também já tinha um elo aberto. A minha chave de corrente não é das melhores e eu também não tenho muita prática com esse tipo de conserto, mas retiramos o pedaço do câmbio, emendamos, mas não ficou bom.
Tanto que não ficou bom, que com menos de 9 quilômetros a corrente quebrou, refizemos e dessa vez ficou melhor. Voltamos a pedalar eram 11h15 e o terreno era mais pedalável.
Em uma hora conseguimos chegar no PC 2, matei uma tubaína, reabastecemos e 15 minutos depois começamos a volta.
Pedalamos mais 24 quilômetros com trecho com chuva e vento contra e faltando 2 quilômetros para PC 3, no mesmo local do PC 1, a corrente torna a abrir. Tentamos consertar não conseguimos, eu acelerei para saber se o pessoal ainda estava no PC. Logo em seguida, chega o Fernando na descida vimos a corrente pendurada e cair dentro do riacho. O Vinícius, da organização, deu uma mão com a corrente e foi o que deu certo.
Eu estava sentindo que não iria conseguir concluir pedalando e se parasse era lá que eu ficava. Falei para o Fernando que iria tocando, mas estava "trash", pedalava uns 15 metros, parava, caminhava uns 10 passos, parava. Tava difícil, tanto que a todo momento ouvia o barulho da Toyota que era o carro vassoura.
Não tinha andado nem 4 quilômetros e olhei para trás em meio a vegetação, um capacete branco, era o Fernando, e ele falou: eu quero buscar esse certificado.
Fomos determinado a terminar, mas ainda tinha 3,6 quilômetros para o ponto mais alto da serra, que era nos 392 metros, e nós estávamos no 160 metros de altitude. Além disso, tinha que enfrentar a lama, então foi quase toda essa extensão empurrando.
E foi nesse trecho que senti a roda traseira presa, era o freio traseiro, recoloquei a mola, mas não alcançava. E estava crente que teria que comprar outro freio. A partir daí fui economizando o freio dianteiro, pois tinha que desce a serra ainda.
Descemos a serra em 20 minutos. Se tinha chegado até ali, eu terminaria a prova!
Como estava incomunicável, sabia que Dany estava preocupada, e logo já recebi a ligação dela.
Como estava incomunicável, sabia que Dany estava preocupada, e logo já recebi a ligação dela.
O Fernando ia na frente, gritando umas palavras que eu não entendia.
Quando cruzamos a rodovia, já comemorava, comemorou até com os caras que estavam vendendo sofá na beira da estrada.
Chegamos!!!
Bateu um desespero quando não vimos o pessoal da organização para fechar o passaporte, mas eles estavam na rodoviária e logo correram para nos chamar.
Concluímos fora do tempo, avançamos 12 minutos do tempo limite, mas contando o estado da estrada a organização do Randonneurs Litoral, entregou os certificados e medalhas para os que concluíram. E me considero merecedor, por tudo o que aconteceu, as quebras, o companheirismo do Fernando, pois é nosso quarto pedal junto, e tudo diferente do que pedalamos pelas estradas de nossa cidade.
A maioria das fotos não são minhas, mas todas estão creditadas.
As primeiras horas de sono foi tensa, pois ainda sonhava com o Despraiado, mas depois embalei num sono bom e acordei cedo para limpar tudo.
E depois de lavada a bicicleta, percebi que o freio está funcionando perfeitamente, apenas um pouco travado, mas com uma limpeza mais detalhada fica tudo normal.
A bicicleta só voltará a rodar depois de uma revisão e já está pendurada, por enquanto vou pedalar só no asfalto e não quero fazer algo igual por um bom tempo.
Mas espero em 2016, quando Emanuel, que nascerá em setembro, estiver grandinho, fazer um série completa, mas no asfalto com uma speed e já tem a eleita, só falta comprar.
Agradeço ao Fernando e a organização do Randonneurs Litoral, principalmente ao Vinícius, com quem tive maior contato, mesmo que brevemente.
Agradeço a Dany!
E agradeço ao Pai Celestial, não só pela oportunidade, mas por tudo de bom que vem ocorrendo em minha vida.
Até



